É para mim uma honra e um prazer abordar hoje uma temática que, à primeira vista,desperta o interesse uma vez que o conhecimento desta matéria não está demasiado desenvolvido, é mesmo bastante vago. Convém, no entanto, delimitar a temática. Parto do princípio que os organizadores deste congresso pensaram neste longo período histórico que separa a Antiguidade da Idade Média, caracterizado pelas chamadas Invasões
Germânicas -ou dos Bárbaros, no sentido clássico de “estrangeiros” - e que marca a
dissolução da relativa unidade romana e latina ou política e cultural do Império em antigas regiões históricas ou étnicas e em línguas românicas individuais. E será neste sentido que vou resumir alguns, poucos, aspectos da história da língua galega.
A noção de «germânico», no seu uso actual, refere-se também a um dos estados germânicos –a Alemanha (em italiano Germania)– mas, curiosamente, não abarca a Inglaterra, a Holanda,os países escandinavos. No decorrer da historia medieval e moderna tem havido bastantes contactos entre a Europa germânica e a Galiza, aliás sem influência linguística ou cultural recíproca digna de menção.
Não me ocuparei destas fases históricas posteriores às Grandes Invasões, interessantes em mais de um aspecto político, económico ou cultural. Também não vou tratar de um aspecto particular da história da linguística românica,disciplina filológica importantíssima nascida na Alemanha do século XIX, ou seja da formação científica «germânica» de alguns dos grandes romanistas galegos ou da contribuição de romanistas alemães para os Estudos Galegos.
Quero apenas mencionar o meu mestre Joseph M. Piel, importante no contexto da minha temática e grandeigo da Galiza e dos galegos, para realçar a transcendência da prevista reedição das suas obras (inclusive os inéditos e um índice remissivo) aqui em Santiago.
Feitas estas reservas devo ainda acrescentar que prefiro, pessoalmente, dizer Galicia em vez da forma portuguesa e popular Galiza; ela traduz uma realidade histórica contínua ao contrário de muitos outros domínios de grande tradição, incluído o secular Portugal nascido de terras «galegas» em palavras do Padre Sarmiento: nunca houve um «Portugal germânico
». Desde já sublinho que o nosso passeio pela história dos séculos V ao X ou XI será bastante árido: politicamente marcado pela dominação «germânica» e a conseguinte convergência num estado nacional –o hiato islâmico só teve consequências indirectas na formação da Galicia e do galego medievais– o elemento germânico nota-se, eventualmente,na sociedade e nas instituições: a história propriamente linguística desta fase de formação da realidade galega pouco tem de germânico.
1.Repito muito sucintamente as datas históricas mais importantes do período germânico,que considero aliás conhecidas. As nossas fontes mais directas dos acontecimentos históricos são os relatos de Idácio, Paulo Orósio, São Martinho de Braga (ou de Dume),Gregório de Tours, João de Bíclaro e Isidoro de Sevilla1.
dimecres, 27 de juny del 2012
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