diumenge, 29 de juliol del 2012

Galícia Germànica (2012)

-Galicia Germànica-


É para mim uma honra e um prazer abordar hoje uma temática que, à primeira vista,desperta o interesse uma vez que o conhecimento desta matéria não está demasiado desenvolvido, é mesmo bastante vago.

Convém, no entanto, delimitar a temática.
Parto do princípio que os organizadores deste congresso pensaram neste longo período histórico

que separa a Antiguidade da Idade Média, caracterizado pelas chamadas Invasões

Germânicas (ou dos Bárbaros, no sentido clássico de “estrangeiros”) e que marca a

dissolução da relativa unidade romana e latina ou política e cultural do Império em

antigas regiões históricas ou étnicas e em línguas românicas individuais.

E será neste sentido que vou resumir alguns, poucos, aspectos da história da língua galega. A noção

de «germânico», no seu uso actual, refere-se também a um dos estados germânicos –a

Alemanha (em italiano Germania)– mas, curiosamente, não abarca a Inglaterra, a Holanda,

os países escandinavos. No decorrer da historia medieval e moderna tem havido

bastantes contactos entre a Europa germânica e a Galiza, aliás sem influência linguística

ou cultural recíproca digna de menção.

Não me ocuparei destas fases históricas posteriores às Grandes Invasões, interessantes em mais de um aspecto político, económico ou cultural. Também não vou tratar de um aspecto particular da história da linguística românica,disciplina filológica importantíssima nascida na Alemanha do século XIX, ou seja da formação científica «germânica» de alguns dos grandes romanistas galegos ou da contribuição de romanistas alemães para os Estudos Galegos.

Quero apenas mencionar o meu mestre Joseph M. Piel, importante no contexto da minha temática e grande

amigo da Galiza e dos galegos, para realçar a transcendência da prevista reedição das

suas obras (inclusive os inéditos e um índice remissivo) aqui em Santiago.

Feitas estas reservas devo ainda acrescentar que prefiro, pessoalmente, dizer Galicia em vez da

forma portuguesa e popular Galiza; ela traduz uma realidade histórica contínua ao contrário

de muitos outros domínios de grande tradição, incluído o secular Portugal nascido

de terras «galegas» em palavras do Padre Sarmiento: nunca houve um «Portugal germânico"