dilluns, 3 de desembre del 2012

Galicien-Zentrum da Universidade de Trier

É para mim uma honra e um prazer abordar hoje uma temática que, à primeira vista,
desperta o interesse uma vez que o conhecimento desta matéria não está demasiado
desenvolvido, é mesmo bastante vago.

Parto do princípio que os organizadores deste congresso pensaram neste longo período histórico
que separa a Antiguidade da Idade Média, caracterizado pelas chamadas Invasões
Germânicas (ou dos Bárbaros, no sentido clássico de “estrangeiros”) e que marca a
dissolução da relativa unidade romana e latina ou política e cultural do Império em
antigas regiões históricas ou étnicas e em línguas românicas individuais.

E será neste sentido que vou resumir alguns, poucos, aspectos da história da língua galega. A noção
de «germânico», no seu uso actual, refere-se também a um dos estados germânicos –a
Alemanha (em italiano Germania)– mas, curiosamente, não abarca a Inglaterra, a Holanda,
os países escandinavos.

No decorrer da historia medieval e moderna tem havido bastantes contactos entre a Europa germânica e a Galiza, aliás sem influência linguística ou cultural recíproca digna de menção. Não me ocuparei destas fases históricas posteriores às Grandes Invasões, interessantes em mais de um aspecto político, económico ou
cultural.

Também não vou tratar de um aspecto particular da história da linguística românica,
disciplina filológica importantíssima nascida na Alemanha do século XIX, ou
seja da formação científica «germânica» de alguns dos grandes romanistas galegos ou
da contribuição de romanistas alemães para os Estudos Galegos.

Quero apenas mencionar o  mestre Joseph M. Piel, importante no contexto da minha temática e grande
amigo da Galiza e dos galegos, para realçar a transcendência da prevista reedição das
suas obras (inclusive os inéditos e um índice remissivo) aqui em Santiago. Feitas estas
reservas devo ainda acrescentar que prefiro, pessoalmente, dizer Galicia em vez da
forma portuguesa e popular Galiza; ela traduz uma realidade histórica contínua ao contrário
de muitos outros domínios de grande tradição, incluído o secular Portugal nascido
de terras «galegas» em palavras do Padre Sarmiento: nunca houve um «Portugal germânico.
».