divendres, 24 de maig del 2013

Jornada dedicada a atraduçao de Libro do Desassossego

A13 de Junho de 2005 realizou-se na Universidade do Minho, poriniciativa do Centrode Estudos Humanísticos, uma jornada dedicadaàtradução do Livro do Desassossego,que reuniu vários tradutores daobra, assim como investigadores que se têm dedicado ao estudo datradução literária e/ou à obra de Fernando Pessoa.

Os textos que seseguem compreendem quer algumas das intervenções apresentadasnoseminário, quer reflexões produzidas aposteriori,como resultadodas discussões que aí ocorreram.Esta Jornada contou com depoimentos de três dos tradutores do Livro do Desassossegopara francês, inglês e espanhol – respectiva-mente Françoise Laye, Richard Zenith e Perfecto Cuadrado3–ecomintervenções sobre as traduções do Livro e sobre a poética pessoana,de Frederico Lourenço, Maria Alzira Seixo, Maria Irene Ramalho eChristine Zurbach4.Posteriormente, foram aparecendo contributospara esta reflexão, de outros investigadores, independentemente dasua participação no seminário (nomeadamente de Inês Oseki-

Depré,autora também de uma tradução francesa do Livro do Desassossego(1987) e de Rita Patrício e Isabel Cristina Mateus, investigadoras doCEHUM)5.Os textos que agora apresentamos não pretendem, assim,constituir rigorosamente as «actas» deste encontro de tradutores einvestigadores – uma vez que, por um lado, nem todas as intervenções,quer dos oradores, quer de outros investigadores participantes, fica-ram registadas, e que por outro lado, se apresentam novas reflexõesmotivadas pelo tema deste seminário. Estes textos pretendem apenasassinalar esta jornada de investigação, dando conta da diversidade e docarácter simultaneamente estimulante e inesgotável da recepção deste«não-livro», deste «livro impossível, acabado e inacabável» (EduardoLourenço).

 O objectivo central do seminário era o de reflectir sobreaexperiência de tradução de um livroque, como observa Maria AlziraSeixo (2006), contém «muito (quase tudo) do que interessa aos literá-rios» no pressuposto de que igualmente porá muitas ou quase todasasquestões que se colocam à tradução literária.Ahistória atribulada (e inacabada) da constituição e organizaçãoda obra original6,está já, à partida, genericamente ligada à questão datradução – as diferentes edições do Livro, correspondendo à progres-siva «descoberta» dos fragmentos deixados por Fernando Pessoa e aosdiferentes critérios de organização que foram sendo adoptados peloseditores da obra, criam, no conjunto, outros tantos «textos originais»que são já «textos em segunda mão», uma vez que resultam de umtrabalho deleiturae de reescrita.

DIACRÍTICA103Autores de algumas das traduções mais recentes do Livro doDesassossego.Cf.infra,Richard Zenith, «Traduzir o Livro doDesassossego: Notas para uma não--teoria»; Françoise Laye «O Livro do Desassossegode Pessoa».4Cf.infra,Maria Alzira Seixo, «Elogio da sintaxe»; Christine Zurbach, « Le Livre del’Intranquillité;dramatização do Desassossego:as vozes e os corpos do Livro».5Cf.infra,Inês Oseki-Depré, « Intranquillité ou Inquiétude?Quelques remarquessur la traduction française du Livro do Desassossegode Fernando Pessoa-BernardoSoares»; Rita Patrício, «Pessoa e o princípio da tradução»; Isabel Cristina Mateus,«Fialho de Almeida, Vicente Guedes, Bernardo Soares & C.ª: notas soltas para um livrodo desassossego».6Cf. em anexo o historial das edições e traduções do LdoD.