dijous, 8 de maig del 2014

Galegos e Mouros:o galego visto pelos portugueses.

Quereria eu neste momento ser alemão e ter a incumbência de apresentar o contributo da ciência germânica para o conhecimento e uma maior exposição da língua galega no quadro da Romanística. *Como seria fácil seleccionar apenas matérias das mais nobres para vos ocupar, com proveito e divertimento espiritual, durante a hora que agora se inicia. Bastaria tomar, de entre as abundâncias que se sabem, o exemplo da obra longa e profícua de Joseph-Maria Piel para satisfazer com elevação a encomenda que me foi cometida: relatar a acção dos filólogos do meu país em relação ao galego. *De facto, como recorda categoricamente D. José Luis Pensado, “el gallego raras veces ha sido objeto de estudio científico en Portugal” Tem toda a razão o mestre de Salamanca, como tem razão em abrir ressalvas para os nomes de Leite de Vasconcellos, Rodrigues Lapa e Clarinda de Azevedo Maia, que, com alguns mais (penso em Lindley Cintra), se dedicaram aos problemas da língua galega empenhadamente, mas com posturas que pouco têm de comum entre si. *Tentarei sintetizar as principais atitudes em relação ao galego que os filólogos portugueses têm assumido, sem nenhuma pretensão de esgotar o inventário. Serem poucos os nomes não é razão para chamar todos. Tentarei também reflectir um pouco sobre as causas da lusitana distracção: Pensado responsabiliza as fronteiras que nos separam (ou separavam, quando escreveu o seu texto), mas mais fronteiras há entre Portugal e a França e isso nunca impediu que os estudos franceses florescessem entre nós. *É aliás esse o ponto que, segundo suspeito, mais interessava a quem me deu este tema para tratar. Compreende-se que, numa reunião onde se faz o balanço de 25 anos em que o estudo científico da língua galega foi feito a partir de dentro –com olhos galegos–,e em que espero se manifeste o sentimento de que os tempos de querelas ortográficas e de normativas ad personam já passaram, sem que tenham passado os receios quanto à viabilidade sociológica do galego numa sociedade moderna e uniformizada (por Madrid e por Bruxelas), o que significa que o remédio não estava só na ortografia e nas normativas, compreende-se –repito– que os linguistas galegos tenham uma certa curiosidade em saber se nós, os seus colegas portugueses, temos opinião na matéria, se temos intuitos colonizadores ou observamos respeitosa reserva, ou se tudo nos é indiferente.