diumenge, 18 d’agost del 2013

Toponímicas medievals romànicas,quanto à toponimia.

Quanto à toponímia, é especialmente frequente falar-se de «toponímia germânica», por exemplo. Na realidade não há, na Península Ibérica, praticamente nenhuma toponímia germânica, a não ser as duas fundações históricas de Recópolis e Victoriacum. O que se costuma chamar assim são denominações toponímicas medievais românicas, com empréstimos –lexicais ou onomásticos– de origem ou etimologia germânica. *Uma Saavedra é uma denominação puramente romance, baseada no empréstimo lexical sala ou sá. O topónimo,frequente, Samil (também Saamil, Samir, Salamir, Zaramil, Sanamil, Sanmir, Sanmil,Sanmiro, Samiráns, Xamirás), é o resultado de uma formação latina do tipo villa Salamiri,quer dizer com o lexema comum vila e o nome do proprietário latinizado em Salamirus. *Este nome pessoal é um nome do onomástico comum da época, sendo a sua etimologia gótica. A formação em si nada tem de «germánico».Insisto nesta distinção banal entre «germânico» e «de origem germânica» para evitar, a todo custo, especulações inúteis e falsas. *Basta citar o Prof. Piel: ele próprio contribuiu involuntariamente para esta confusão terminológica quando fala, ao referir-se à toponímia deantroponímica, de «toponímia germânica» ou «nomes de lugar, antigos e modernos, de origem visigoda», etc., especificando porém que «os topónimos portugueses de origem visigoda explicam-se portanto pela antroponímia medieval respectiva, e as conclusões históricas que dêles podemos tirar não vão além das que esta nos permite. O facto de uma localidade ter um nome de origem visigoda, não implica de maneira nenhuma que tenha sido fundada ou habitada por um godo. Indica única e exclusivamente que, em determinada época da Idade Média, esta localidade foi propriedade de um indivíduo de nome visigodo. *No seu artigo fundamental sobre «O património visigodo da língua portuguesa», de 1942, declara: É a altura de preguntarmos como se deverá explicar a grande supremacia dos nomes godos no antigo onomástico. É evidente que êles não têm valor nenhum para a identificação da nacionalidade. * Concluir do facto de um indivíduo ser portador de um nome godo, que êle é de raça goda, seria tão absurdo como se um historiador, num futuro longínquo,quisesse demonstrar que os portugueses do século XX eram judeus, baseando-se na observação de os nomes mais freqüentes desta época serem Manuel e Maria…!